Eu sei que vou causar polêmica ao dizer que a Escola ensina errado. Preciso esclarecer algumas coisas.
Quando eu falo de Escola. Não falo de uma escola em específico. Não falo de um professor em específico. Não falo de uma disciplina. Falo da ESCOLA! Da Instituição. Falo de um Sistema Educativo montado pelo Estado, de forma histórica e contextualizada.
Essa ESCOLA é composta pelos seus profissionais. Pelas Instituições de Formação Docente. Pelos governos Federal, Estadual e Municipal. Pelos Gestores públicos e privados. Pelas pesquisas e pesquisadores educacionais. Pelo Conhecimento socialmente elaborado ao longo da história. Pelo fazer mesmo, cotidiano, de cada estabelecimento de ensino. Pelos alunos. Pelas famílias. Pela comunidade. Pela Cultura. Por toda a sociedade. Por tudo o mais que possa interferir na Instituição Escola.
Falo de seu produto. A Escola está produzindo analfabetos funcionais. Nas avaliações externas o resultado é sofrível. Os níveis de evasão e repetência são altíssimos! A Escola brasileira não é uma Escola de qualidade.
O que pretendo quando digo que a Escola ensina errado, não é desancar a instituição. Pelo contrário, quero fomentar o debate. Quero contribuir com uma reflexão do fazer pedagógico. Há muita coisa boa sendo feita no interior das escolas, por profissionais comprometidos, que não são ouvidos. Acho que um dos motivos porque a escola ensina errado é porque quem pensa e gerencia a escola não entende nada do fazer pedagógico. Pensa que para uma Escola existir basta uma sala de aula e um giz. Por isso que se constrói escolas sem espaços para outras atividades. Escolas precisam de biblioteca, sala de vídeo, pátio coberto, auditório, sala de reuniões, depósito de materiais pedagógicos, locais amplos para arquivar documentos, muito mais espaço do que as escola atuais contam hoje em dia.
Pela precariedade e pelas péssimas condições atuais em que são submetidos seus profissionais a escola acaba ensinando errado.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
A Escola ensina errado! III
Aprendi a ler e a escrever. Faço uso da leitura e da escrita. Ler, eu até leio muito, agora escrever, eu escrevo pouco. Por quê? Porque a escola não me ensinou a escrever.
A escrita da escola é cicunscrita a apenas a seus próprios exercícios. O ensino de Língua Portuguesa se baseia apenas de se saber uma gramática, ou melhor, um recorte da gramática descontextualizada.
O que se escreve? Para quem se escreve? Por quais motivos? Quais são os portadores de textos? São as perguntas que não se fazem na escola.
Sabe porque eu falo que a escola ensina errado? É porque se você pedir a um aluno para reler o que ele mesmo escreveu, ele se recusará. Virá com uma pergunta desconcertante: "Para quê?" Em sua trajetória escolar ele nunca precisou corrigir o próprio texto, isso nunca lhe foi solicitado.
A escola ensina errado quando solicita para o aluno fazer trabalhos em suas diversas disciplinas e o professor que os recebe não os lê. Simplesmente dá um risco de alto a baixo significando que "passou o olho". Avalia a capa, a aparência do trabalho e dá a nota por isso. Se o trabalho tiver a "aparência" de limpo e mais ou menos no formato esperado, recebe uma boa nota. Do contrário, recebe uma nota menor.
Assim, acabou de ensinar ao aluno que não é necessário ler o que se escreve. O aluno aprende que escrever é apenas copiar palavras e frases fora do contexto, no final basta dar uma boa aparência na capa para receber uma boa nota. A escola assim, ensina errado.
Ultimamente, os alunos não se dão ao luxo nem de dar uma boa roupagem ao trabalho. Já arrancam folhas do próprio caderno, com rebarba e tudo, grampeiam e entregam ao professor. Este aceita, passivamente o trabalho. Ensinou errado!
Não dá para culpar os alunos. Eles estão aprendendo, errado!
O problema é quando aparece na frente desses alunos alguns poucos profissionais comprometidos que querem fazer um bom trabalho. Não vão encontrar nos alunos uma boa receptividade. Vão sempre dizer a ele: "para quê isso?" Professor, a culpa não é deles, seus professores anteriores o ensinaram a agir assim.
A escrita da escola é cicunscrita a apenas a seus próprios exercícios. O ensino de Língua Portuguesa se baseia apenas de se saber uma gramática, ou melhor, um recorte da gramática descontextualizada.
O que se escreve? Para quem se escreve? Por quais motivos? Quais são os portadores de textos? São as perguntas que não se fazem na escola.
Sabe porque eu falo que a escola ensina errado? É porque se você pedir a um aluno para reler o que ele mesmo escreveu, ele se recusará. Virá com uma pergunta desconcertante: "Para quê?" Em sua trajetória escolar ele nunca precisou corrigir o próprio texto, isso nunca lhe foi solicitado.
A escola ensina errado quando solicita para o aluno fazer trabalhos em suas diversas disciplinas e o professor que os recebe não os lê. Simplesmente dá um risco de alto a baixo significando que "passou o olho". Avalia a capa, a aparência do trabalho e dá a nota por isso. Se o trabalho tiver a "aparência" de limpo e mais ou menos no formato esperado, recebe uma boa nota. Do contrário, recebe uma nota menor.
Assim, acabou de ensinar ao aluno que não é necessário ler o que se escreve. O aluno aprende que escrever é apenas copiar palavras e frases fora do contexto, no final basta dar uma boa aparência na capa para receber uma boa nota. A escola assim, ensina errado.
Ultimamente, os alunos não se dão ao luxo nem de dar uma boa roupagem ao trabalho. Já arrancam folhas do próprio caderno, com rebarba e tudo, grampeiam e entregam ao professor. Este aceita, passivamente o trabalho. Ensinou errado!
Não dá para culpar os alunos. Eles estão aprendendo, errado!
O problema é quando aparece na frente desses alunos alguns poucos profissionais comprometidos que querem fazer um bom trabalho. Não vão encontrar nos alunos uma boa receptividade. Vão sempre dizer a ele: "para quê isso?" Professor, a culpa não é deles, seus professores anteriores o ensinaram a agir assim.
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