quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

PLano de Aula

ESCOLA ESTADUAL PROFESSORA YOLANDA MARTINS- TEXTO PARA REFLEXÃO PEDAGÓGICA: BRENO JOSÉ DE ARAÚJO – EEB. 30/01/2010
Como fazer da rotina uma aliada? Prever, passo a passo, as tarefas a desempenhar dentro e fora da classe ajuda a obter os resultados esperados. Seus alunos agradecem. Daniela Almeida (novaescola@atleitor.com.br)
Preparar cada aula, organizar o material didático, levantar diferentes recursos para ensinar um conteúdo e cuidar da ambientação da sala - sem abrir mão da formação continuada. São muitas as atividades que constroem o dia-adia do professor. Orquestrar todas com maestria é a chave para atingir os objetivos. Lúcia Ferreira é professora do 2º ano na EMEF Chico Mendes, em Porto Alegre, e diz que a rotina é fundamental para garantir o bom andamento das atividades (leia no quadro abaixo um relato da professora sobre o papel da rotina em seu trabalho). "Essa preparação é essencial para que a aula transcorra conforme o esperado", diz Valéria Roque, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e do Centro Universitário de Belo Horizonte. Confira a seguir algumas das práticas mais eficazes para criar uma rotina que ajude a melhorar o desempenho da turma.

Ter um jeito próprio de se organizar
Não existe certo ou errado quando se fala em rotina profissional. Cada professor precisa descobrir as ferramentas que melhor se encaixam ao seu estilo de trabalho. Pode ser um bloco do tipo agenda, um caderno tradicional ou um arquivo de computador.

Planejar com antecedência
Separar o material didático previsto para ser usado na semana seguinte e reservar um dia para rever o roteiro de atividades é sempre bom para garantir que nenhum detalhe seja esquecido.

Reservar espaço para estudar
Manter-se atualizado, tanto em relação aos conteúdos quanto à prática de sala de aula, é fundamental. Você pode fazer um mestrado, uma especialização ou apenas estabelecer uma rotina de estudos em casa (com muitos livros e pesquisa via internet). O que vale é crescer sempre.

Organizar o espaço
As atividades previstas para o dia serão desenvolvidas individualmente ou em grupos? Prever a melhor maneira de ambientar a sala de aula é o primeiro passo.

Compartilhar o planejamento
"Contar aos alunos o que será feito ao longo do dia é importante por dois motivos. Em primeiro lugar, porque eles ficam mais confortáveis, sem aquela euforia de 'o que será que vem agora?'. Depois, porque faz com que saiam da postura passiva de quem está sempre aguardando um comando", explica Karen Elizabete Nodari, coordenadora do núcleo de Orientação e Psicologia Educacional do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Definir as tarefas
Cada conteúdo exige um tipo de atividade (leia mais nesta reportagem). Enquanto os alunos produzem textos ou resolvem problemas, uma boa dica é circular pela sala, acompanhando a evolução de cada um. "Se você decide passar um filme, por exemplo, é essencial preparar um pequeno roteiro para a turma, com pontos a ser observados", diz Valéria Roque.

Prever atividades extras
Nem tudo sai conforme o previsto, certo? Portanto, ter na manga algumas tarefas capazes de envolver a turma é sempre bom. No dia-a-dia, isso vale também para aqueles alunos que sempre terminam tudo antes dos outros - mas não podem ser deixados de lado.

Antecipar a aula seguinte
Encerrar o dia informando o que será realizado no dia seguinte é uma ótima estratégia porque gera uma expectativa positiva e permite que os alunos se preparem melhor ao compreender que há continuidade no processo educativo.

Trocar idéias na escola
Reuniões com os colegas, a coordenação pedagógica e a direção são fundamentais para revisar o planejamento e encaminhar as questões mais relevantes.

Pensar grande
"É preciso ter uma visão de conjunto para poder planejar a rotina diária", resume a professora Lúcia, de Porto Alegre. "Mecanismos de registro ajudam muito nesse sentido. Alguns preferem escrever, outros preferem fazer esquemas. Só não pode mesmo é fazer tudo de cabeça."
"É PRECISO DEIXAR TUDO ORGANIZADO"
Confira a seguir o depoimento da professora Lúcia Ferreira, que leciona para o 2º ano na EMEF Chico Mendes, em Porto Alegre, sobre a importância da rotina para suas atividades diárias. "Chego todo dia às 7h20 na escola. Pego o caderno de chamada e vou para a sala de aula, conferir se o espaço está organizado da forma que eu preciso. Quando toca o sinal, às 7h45, vou ao pátio buscar a turma. Pergunto como passaram o dia anterior, faço a chamada e apresento como será o dia. Todos escrevem a data no caderno e anotam a sequência de atividades previstas. Só então dou início às tarefas: leitura, escrita, desenho etc. Como em qualquer turma, cada aluno trabalha num ritmo próprio. Alguns não conseguem acompanhar o andamento, precisam de incentivo e auxílio constantes. Outros terminam tudo rapidamente. Esses, eu uso como monitores, para auxiliar os colegas. Logo após o recreio, costumo propor tarefas mais lúdicas e calmas porque a gurizada volta do pátio sempre agitada. Às 11h30, meia hora antes do fim da aula, todos recolhem os materiais usados. Faço uma avaliação do que fizemos e aponto como será o dia seguinte. Se algum trabalho não foi concluído, gosto de lembrar o que falta fazer. E é importante lembrar se haverá aula de Informática ou Educação Física, por exemplo. Em casa, começa o que eu chamo de segundo tempo. Registrar os eventos mais importantes, ajustar o planejamento, criar atividades para os mais adiantados. No meu caderno, tenho a semana inteira prevista porque é preciso deixar tudo organizado para que a turma toda avance."

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Reflexões Pedagógicas

REFLEXÕES PEDAGÓGICAS

O Art. 53 da lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) que diz que a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho.

E o art. 56 da mesma lei: Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de:
I-Maus tratos envolvendo seus alunos;
II - Reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares;
III-Elevados níveis de repetência.

As Escolas em geral e as públicas em particular têm encontrado muita dificuldade para garantir efetivamente o direito à educação de seus alunos. E estão sendo responsabilizadas por isso. Acredito que tem sua parcela de culpa, mas deixá-las sozinha é um “pecado”.


Relatemos um caso de uma escola que pode ser de qualquer uma:

Quando se registra cinco faltas consecutivas ou dez alternadas no mês dos alunos é enviado um comunicado aos pais e/ou responsável para dar ciência da ocorrência e resolução da questão. Persistindo o problema, o aluno recebe uma convocação para que seu responsável compareça à escola e fique ciente do comportamento, da aprendizagem do aluno e resolva satisfatoriamente o problema da infrequência. Uma vez que a presença do responsável é imprescindível, caso o aluno não entregue a primeira convocação este recebe outra. Mesmo assim, há sempre um ou outro aluno que resiste; nesses casos a escola envia a convocação, através de um funcionário, na casa do aluno ou procura fazer contato pelo telefone. Encontra dificuldade nesses procedimentos, porque muitas vezes o número de telefone é desatualizado ou não se encontra nenhum responsável na residência.
Em alguns casos a família comparece, fica ciente do comportamento e da aprendizagem, compromete-se a acompanhar o desenvolvimento escolar do aluno, mas o problema persiste, o aluno continua a faltar, a não fazer as atividades e perder médias nos bimestres, significa que a família não cumpriu o combinado.
Nesses casos, a escola procura fazer o acompanhamento e monitoramento de seus alunos através de registro de caderno de ocorrências, bilhetes aos pais, vistos periódicos nos cadernos, reuniões de pais, convocações. Contudo, a escola enfrenta ainda dificuldade, pois o número de alunos matriculados é grande. As aulas nos anos finais do Ensino Fundamental são de apenas cinqüenta minutos. É muito difícil fazer o acompanhamento e monitoramento sistemático de cada um dos alunos sem a parceria da família, que, por diversas vezes ainda discorda dos procedimentos adotados pela escola.
A família não acredita que o aluno faltou o número de vezes que a escola tem registrado no diário do professor, que não faz as atividades dadas em sala de aula e muito menos os deveres de casa; ainda que o aluno costume passar um mês inteiro ou mais sem registrar uma linha sequer em seu caderno. Também há casos em que os pais ficam procurando desculpas para ausência do filho e acham que assim já solucionaram o problema. Mas não. Mesmo que haja justificativa para a falta, há a questão da matéria perdida e dos exercícios pendentes que precisam ser feitos.
Sabemos que se o aluno não comparecer às aulas, não assimilará o conteúdo ministrado naquele momento e ficará defasado em relação aos demais. O processo de aquisição de conhecimento é contínuo e cumulativo, um dia que se perde prejudica e muito o aprendizado.
Quando acontece a falta, algumas perguntas precisam ser respondidas pela família: O (a) aluno (a) copiou a matéria perdida? Comunicou ao (a) professor (a) o motivo de suas faltas e recebeu dele (a) as atividades do período? Estudou em casa a matéria e pôs o caderno em dia? Parou de faltar às aulas? É assíduo (a)?
Para garantir que o processo de aquisição de conhecimento da criança ou do adolescente não seja rompido, a família precisa estar atenta aos seguintes procedimentos:
 Não deixar que se atrase, garantindo que esteja na escola às sete horas em ponto para a primeira aula;
 Não deixar que falte, nem um dia sequer e justificar com atestado médico ou pessoalmente o motivo da falta;
 Acompanhar em casa regularmente os cadernos, verificando se está fazendo as atividades em sala e os deveres de casa;



Percebendo alguma irregularidade, a família deve entrar em contato
de forma imediata com a escola para averiguar a situação. Mas, justamente nesse ponto a dificuldade é maior. Mesmo tendo ciência do problema, a família não comparece à escola. Em alguns casos, a atitude que toma se resume a simplesmente dizer: “eu já falei com meu filho”. Atitude improfícua geradora de descrédito por parte do aluno quando recebe uma advertência da escola, porque ele não será punido em casa.
Entretanto, os esforços da escola em ter um aluno freqüente às aulas e aprendendo efetivamente o que é ensinado tem dado resultado, em muitos casos é percebida uma sensível melhora no desempenho e no comportamento do aluno. O trabalho é árduo e contínuo, com avanços e retrocessos, há registros de alunos que melhoraram em um bimestre e voltaram a cair no seguinte devido ao “relaxamento da vigilância familiar”. Em outros casos, o aluno percebe o que se espera dele e passa a agir de acordo com o regimento escolar e deixa de ser aquele “aluno-problema”. Continua um pouco agitado, “respondão” algumas vezes, mas passa a respeitar e a obedecer mais, o que lhe dá condições de aprender e ser aprovado pelo seu próprio mérito.
Pesquisas educacionais comprovam que quando há o envolvimento da família no acompanhamento das atividades escolares a aprendizagem é garantida. A escola está ciente que os pais e/ou responsável trabalham e têm um dia atarefado, não há muito tempo para acompanhar as atividades escolares do filho ou pupilo. Contudo o aluno não pode ficar sem a supervisão do adulto.
O que a escola propõe é que seja mantida uma comunicação estreita entre família e escola, as informações precisam fluir com rapidez e veracidade mantendo um contato freqüente. A escola utiliza de mecanismos simples para garantir esse contato. Registra as informações referentes aos alunos, envia comunicado e convoca a presença do responsável, faz reuniões periódicas para entrega de boletim escolar, tenta contato pelo telefone.
Acredito que toda escola se depare com o seguinte quadro:


10% 30% 10% 20% 30%
Evadidos, fora da escola. Começam sua escolaridade com um pé fora da escola. Totalmente longe da cultura escolar. Os repetentes, não entendem a escola, são indisciplinados. Os esforçados, com dificuldade e pelo trabalho da escola caminham devagar. Não entendem a escola. Os bons alunos, andam um pouco devagar, mas conseguem entender a escola. Os melhores alunos, considerados os ideais.
Imersos na cultura da escola.


Há muita interferência externa à escola que dizem o que “não fazer” e não ouvem o que a escola tem a dizer.
Esse quadro pode ser criticado por “não é bem assim”. Ou “você está equivocado” e “delirando”. Também pode sofrer algum tipo de “processo” e ser acusado de racista.
O quadro é apenas uma observação individual minha, não tem nenhum embasamento científico. Posso estar errado.

Breno José de Araújo, Pedagogo.